Protestos no Roblox após bloqueio do chat reacendem debate sobre proteção infantil
A plataforma de jogos on-line Roblox popular entre crianças e adolescentes globalmente, virou palco de protestos digitais depois de implementar mudanças nas regras do chat que restringem a comunicação entre usuários de faixas etárias diferentes. A revolta, que ganhou força no Brasil e em outras partes do mundo, levanta questões importantes sobre segurança on-line, participação infantil […]

A plataforma de jogos on-line Roblox popular entre crianças e adolescentes globalmente, virou palco de protestos digitais depois de implementar mudanças nas regras do chat que restringem a comunicação entre usuários de faixas etárias diferentes. A revolta, que ganhou força no Brasil e em outras partes do mundo, levanta questões importantes sobre segurança on-line, participação infantil em ambientes virtuais e a responsabilidade das plataformas.
O que motivou a mudança
No início de janeiro de 2026, a Roblox Corporation passou a exigir verificação obrigatória de idade, para liberar o acesso ao chat de texto e voz dentro de seus jogos. O sistema, que usa reconhecimento facial e em alguns casos a confirmação por documento, foi projetado para melhorar a segurança da comunidade, limitando interações entre crianças e adultos e reduzindo riscos como grooming (tentativas de aproximação indevida) e assédio.
Com a nova política, usuários menores de 9 anos têm o chat desativado por padrão e só podem usá-lo com autorização de um responsável. Pessoas entre 9 e 12 anos têm acesso restrito a conversas com faixas etárias próximas, enquanto adolescentes e adultos também enfrentam limitações para impedir o contato entre crianças e pessoas muito mais velhas.
A manifestação virtual
Em resposta às limitações, jogadores, em sua maioria menores, passaram a protagonizar “protestos” dentro do próprio Roblox, usando avatares para desfilar com placas e cartazes em ambientes como o universo do jogo Brookhaven. As mensagens exibidas nas manifestações traziam frases como “queremos chat”, “devolve o chat” e outras expressões criativas ou irônicas sobre a mudança.
Nas redes sociais, esses protestos viralizaram, com vídeos e capturas de tela compartilhados no TikTok, X (antigo Twitter) e outras plataformas. Em alguns casos, a revolta chegou a misturar humor e crítica emocional, refletindo a frustração de muitos usuários jovens pela perda de uma forma de socialização que, para eles, era parte central da experiência no jogo.
Um alvo improvável: o influenciador Felca
O episódio também ganhou um elemento inesperado quando o influenciador digital Felipe Bressanim, conhecido como Felca, passou a ser citado por alguns usuários como responsável pelas mudanças no Roblox, mesmo sem qualquer ligação comprovada com a decisão da empresa.
Nas redes sociais, ele relatou ter recebido mensagens agressivas e até ameaças, com crianças atribuindo a ele a perda do chat de voz e texto no jogo. Felca chegou a responder às acusações publicamente, dizendo que não tinha conhecimento direto sobre a funcionalidade de chat do Roblox antes da repercussão da situação.
Debate mais amplo sobre infância e tecnologia
Especialistas em segurança digital e educação ressaltam que a reação dos jogadores está inserida em um contexto maior: crianças e adolescentes hoje constroem comunidades, amizades e rotinas sociais em ambientes virtuais, muitas vezes invisíveis para pais e responsáveis. Limitar funções como o chat pode ser percebido por elas como uma perda significativa de experiência social.
Por outro lado, movimentos legais e regulatórios, como a implementação do ECA Digital no Brasil, impulsionam empresas a adotar padrões mais rígidos de proteção para menores de idade em plataformas on-line e querem transformar a responsabilidade pela segurança em um dever inerente ao desenho desses ambientes.
Conclusão
Os protestos no Roblox após o bloqueio do chat não são apenas uma reação espontânea de jogadores frustrados. Eles representam também um ponto de inflexão no debate sobre como equilibrar a exploração criativa e social das crianças no ambiente digital com a necessidade de proteção efetiva dos seus direitos e segurança. A discussão envolve crianças, famílias, plataformas de tecnologia e formuladores de políticas públicas e promete evoluir nos próximos meses.
Associação Nacional das Vítimas de Internet
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