Violência contra as mulheres e a importância da tecnologia
NOTA DE REPÚDIO E CONSCIENTIZAÇÃO PÚBLICA A ANVINT (Associação Nacional das Vítimas de Internet) vem por meio desta expressar sua indignação ao episódio ocorrido na cidade de Natal (RN), onde uma mulher foi agredida com cerca de 60 socos, prensada contra um elevador, por seu namorado. As imagens captadas por câmeras de segurança revelam uma […]

NOTA DE REPÚDIO E CONSCIENTIZAÇÃO PÚBLICA
A ANVINT (Associação Nacional das Vítimas de Internet) vem por meio desta expressar sua indignação ao episódio ocorrido na cidade de Natal (RN), onde uma mulher foi agredida com cerca de 60 socos, prensada contra um elevador, por seu namorado. As imagens captadas por câmeras de segurança revelam uma cena de terror que a vítima passou, é possível notar o grau apavorante da violência de gênero que ainda assola nosso país.
Segundo a própria vítima, o ataque físico foi uma reação a algumas mensagens em seu celular que o agressor teria visto. Uma acusação que reforça o quanto o controle abusivo, o ciúme digital e a invasão da intimidade da mulher são cada vez mais elementos que alimentam o ciclo de violência. Em 2025, ainda assistimos a mulheres sendo agredidas por exercerem sua liberdade individual, por manterem conversas privadas ou simplesmente por existirem de forma autônoma no ambiente digital.
O caso é simbólico também por outro motivo ele demonstra, de forma clara e evidente, como a tecnologia pode ser usada tanto como ferramenta de dominação quanto de proteção. Por um lado, o celular da vítima foi o gatilho que provocou o surto do agressor, por outro lado, foi justamente o sistema de câmeras do elevador e a atenção do porteiro que possibilitaram o resgate imediato da vítima e a prisão em flagrante do criminoso.
Neste episódio maldoso, cada um fez um uso diferente da tecnologia. O agressor se valeu do controle da tentativa de silenciar. A vítima, sem sequer recorrer à tecnologia diretamente, foi salva porque o sistema funcionou a seu favor e agiu ao correr até o elevador por ter câmeras com isso ela conseguiu ser salva.
É de extrema importância compreender que a violência contra a mulher não acontece somente em uma rua escura, em um passeio no parque também pode começar nas redes sociais, nos aplicativos de rastreadores, em mensagem abusivas e de ameaças, na exposição indevida de imagens íntimas. São diversas formas de agressão que se alimentam da mesma raiz: o machismo estrutural, que insiste em negar às mulheres o direito à liberdade, à privacidade e à segurança seja no mundo físico ou digital.
A ANVINT reforça que não existe apenas violências físicas mas também virtuais, como podem ver isso tudo começou através de mensagens no celular. O que começa como ciúme abusivo, controle de redes sociais ou exigência de senhas, muitas vezes termina em espancamentos, feminicídios e traumas irreparáveis. E isso precisa acabar.
Reafirmamos nosso compromisso com a conscientização da sociedade sobre os riscos da violência digital e a importância de a tecnologia ser usada com responsabilidade, ética e proteção à vida. Nosso trabalho é informar, acolher e lutar ao lado das vítimas, para que episódios como esse não sejam naturalizados nem esquecidos.
Não há mais espaço para conivência. Toda mulher tem direito à sua vida digital e física sem medo. Toda mulher tem direito à privacidade, ao respeito e à liberdade de existir em qualquer ambiente.
São Paulo, 30 de julho de 2025
Associação Nacional das Vítimas de Internet
Por um ambiente virtual mais seguro e livre de perseguições
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